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 “A continua erosão das democracias ocidentais e o efeito dos desmontes provocado pela longa marcha do neoliberalismo como ideologia econômica têm possibilitado um movimento de privatização de bens, serviços e empresas públicas, deixando os sistemas de proteção social radicalmente expostos, o que possibilitou aumentar ainda mais a precaridade das populações. Como afirma Wendy Brown, a partir de um dado momento nos estados ocidentais, o neoliberalismo passou a tratar o tema da democracia como um custo acrescido, um exercício oneroso demais para ser mantido. Neste contexto, o neoliberalismo coloca-se como um inimigo das democracias liberais, dado que com a crescente privatização e com o aumento da escassez de bens públicos para continuar a privatizar, começa agora a voltar-se para áreas mais centrais na definição dos próprios estados, tais quais: a gestão de forças de segurança, dos sistemas de encarceramento, a terceirização de serviços militares e de armamento e a produção de materiais que permitam operações de genocídio e políticas de extermínio. Um outro caso é o da manipulação de eleições com o recurso à big data como forma de dirigir e referenciar o marketing político ou de fake news, patrocinadas por empresas privadas com interesses em garantir determinados resultados eleitorais para a implementação de seus projetos privatistas. Em termos geopolíticos, a sensação de que a correlação de forças se encontra em franca mudança, com a preponderância econômica chinesa, uma crise permanente ao império estadounidense que parece inevitável mas que sempre se constitui um processo violento e bélico, a Europa em desagregação anunciada com a vitória da extrema direita,  o processo Brexit em curso e os BRICS esvaziados da pujança econômica que lhes fora atribuída na primeira década dos anos 2000. Na América Latina vemos que, embora nas primeiras décadas desse século parecia ser um continente de resistências com novas vozes e personagens nas políticas governamentais, embora liberais e capitalizadas pelos mercados transnacionais, atualmente, o desmonte das democracias e a ascensão de movimentos conservadores de ultradireita parecem ganhar eleitoralmente a própria democratização recente ora em curso.
Por outro lado, sérias ameaças às democracias, com uma extrema direita assumidamente neoliberal, autoritária e repressiva, que ganha eleições com presumidos inimigos externos graças à xenofobia ou com inimigos internos apelando ao racismo, heterossexismo, cisnormatividade, misoginia e classismo. Através destes ódios dirigidos a determinados alvos, prediletos do ultraconservadorismo cristão e articulados para criar pânicos morais instalados por uma moral reacionária, estes regimes estão conseguindo destituir todo o esforço de políticas públicas arduamente conquistadas por movimentos sociais em décadas de luta, que construíram sujeitos políticos com determinados efeitos nas políticas de identidade.
O processo de desdemocratização em curso, de tentativas concertadas de diminuir a qualidade da densidade das democracias, quer através da redução do impacto das suas políticas públicas, quer através das inibições à participação da população no acesso ao que é público, incluindo decisões, direitos e benefícios sociais, tem como decorrência a instalação de um processo longo de precarização, que acostuma e aclimatiza uma população à insegurança e à desesperança, dizimando as redes de apoio social e do Estado à população. Judith Butler introduz ainda a ideia de precariedade que é uma posição politicamente induzida em que determinadas populações se encontram diferencialmente vulneráveis à exposição à violência, biopolítica (M. Foucault) e necropolítica (A. Mbembe).
É neste xadrez complexo que abrimos o espaço para a reflexão. A presente chamada de artigos visa produzir conhecimento e gerar discussão e debate intelectual e político sobre as questões da desdemocratização, neoliberalismo e precariedade como forma de conseguir pensar os problemas para adensar as formas de resistência. Assim serão aceitos textos e ensaios sobre estas temáticas que poderão incidir sobre:

a)    Desdemocratização e emergência de novas extremas direitas palatáveis à população
b)    Processo político em eleições e a reconfiguração da noção de povo
c)    Políticas de segurança e desdemocratização
d)    Neoliberalismo e desmonte do Estado de proteção social
e)    Precariedade como sujeito da política e refiiguração das políticas identitárias
f)     Atores globais pós-coloniais
g)    Manutenção da colonialidade pela ordem neoliberal e pelo conservadorismo moral
h)   Atores sociais, população e efeitos do desmonte
i)     Figuras e formas de resistência à desdemocratização, neoliberalismo e precariedade.
j)      Pós-democracias na América Latina
k)    Ofensivas conservadoras antigênero, racistas e sexistas: desdemocratizaçao e neoliberalismo.

Prazo final para submissão de artigos: 31 de Outubro de 2019

Número Especial a ser publicado em março de 2020. “

Os artigos devem ser submetidos pelo site da Revista e deverão seguir as regras definidas para publicação.

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