quero publicar

oportunidades de publicação, pesquisa, cursos e eventos

Um textinho para quem gosta de fugir da formalidade do ensino jurídico.

Você já pensou o direito à partir de uma música?
Não?!

Esse pequeno texto é um convite para fazê-lo. Afinal, a nossa formação ~ enquanto bacharéis em Direito ~ ainda é bastante tradicional, e são raras as pessoas e iniciativas institucionais que se propõem a refletir o direito à partir de manifestações artísticas e culturais.

Uma das primeiras iniciativas a relacionar Direito & Música foi, sem dúvida, da professora Mônica Sette Lopes, com o programa Direito é Música, da rádio da Universidade Federal de Minas Gerais. O programa iniciou em 6/9/2007, e vai ao ar de segunda a sexta, às 11h15min.
Como ele é retransmitido e hospedado pela Rádio Justiça (http://www.radiojustica.jus.br/radiojustica), é possível ouví-lo online.

O Jornal Estado de Direito manteve, há alguns anos, um projeto chamado Samba no Pé e Direito na Cabeça. (Para conhecê-lo melhor: http://estadodedireito.com.br/samba-no-pe-e-direito-na-cabeca-2/.) Dessa iniciativa nasceu a obra de igual nome, organizada por Carmela Grüne, a idealizadora do Jornal, desse e de tantos outros projetos, como o premiado Direito no Cárcere.

Um outro livro que tratou de Direito & Música (e cinema, e literatura) foi Direito e Casos Reais, Cinema, Literatura e Música: uma nova forma de ver o Direito Civil, coordenado por Renata Domingues Balbino Munhoz Soares.

Carregamos, enquanto professoras, a preocupação em tornar o estudo mais leve, atrativo e participativo. A música pode ser um excelente recurso para que isso aconteça em sala de aula e fora dela.
Até montamos, no Spotfy, uma lista de Músicas que servem para iniciar intensos debates. Ela está está disponível no final do texto, e é composta por:

Geni e o Zepelim

Uma boa música para tratar de direito constitucional e da vontade de Constituição.
Mas para o debate fazer ainda mais sentido, antes é importante ler o discurso do Ullysses Guimarães, na ocasião da promulgação da CF/1988.

Fita amarela

Depois de escutar essa música, você nunca mais esquecerá o que é um codicilo, instituto do Direito das Sucessões.

Maria da Vila Matilde

Violência conta a mulher. Empoderamento.

A Carne

Racismo. População carcerária. Subemprego.
(Ouça assistindo o clipe: https://www.youtube.com/watch?v=yktrUMoc1Xw)

O que é o que é

Direito à felicidade. Já ouviu falar?

Minha alma

Paz. Segurança. Liberdade de expressão.

Construção

A música foi composta no começo da década de 1970, quando Chico retorna para o Brasil depois de um longo período de exílio na Itália, e diz respeito às mudanças das relações de trabalho no Brasil daquela época.
Retrata a trajetória diária da classe trabalhadora e como se dá sua relação com o cotidiano, com a vida e com a morte.

You don’t know me

“Meu pai dormia em cama e minha mãe no pisador”.
Como nosso passado escravocrata reflete na vida das mulheres negras?
Como o Direito pode mudar isso?

Cidadão

Essa é gancho para um prato cheio de temas, assim como a seguinte.
Cidadania, empregabilidade, direito à cidade… direitos humanos!

Boca de Lobo

Guerra às drogas, direito à saúde e à educação.

Esmola

Políticas sociais x caridade.

Xibom Bombom

Muito embalou as festinhas nos anos 1990. Você dançou e nem notou que é uma bela – e simples, por isso bela – crítica social.

Maria Chiquinha

Éramos crianças… ouvíamos, dançávamos e cantávamos essa música terrível, que retrata um sujeito ciumento e abusivo, que planeja matar Maria Chiquinha e aproveitar “o resto”.
Soubemos que, na última turnê, a dupla tem finalizado a música de forma diversa. Afinal, os tempos são outros.

Legalize já

Apologia ao uso de drogas?
Em 1997, um juiz de Brasília expediu um mandado de prisão contra os integrantes do Planet Hemp, sob a acusação de apologia ao uso de drogas.
O grupo foi detido após um show e passou quase uma semana na cadeia, sendo libertado pelo TJDF por erros no processo.
Vale entender a letra e pesquisar a história toda.

Cotidiano

O matrimônio é, sempre, monótono e, aparentemente, sufocante?
Podemos padronizar as relações de afeto ou esperar que elas sejam de determinada forma?

Não chora china véia

Essa, infelizmente, segue embalando alguns bailes tradicionalistas por aí.

“Me desculpe se eu te esfolei com as minhas esporas
Não chora minha china véia não chora
Encosta a tua cabeça no meu ombro e esse bagual velho te consola’

Fui criado meio xucro e não sei fazer carinho
Se acordar de pé trocado eu boto fogo no ninho
Eu já fiz chover três dias só pra apagar o teu rastro
E se a china for embora eu faço voltar a laço”

Ajoelha e chora

Essa é um pior que a anterior, e também segue embalando bailes por aí.

“Tava cansado de me fazer de bonzinho
Te chamando de benzinho de amor e de patroa
Esta malvada me usada e me esnobava
E judiava muita da minha pessoa
Endureci resolvi bancá o machão
Ai ficou bem bom agora é do meu jeito
De hoje em diante sempre que eu te chamar
Acho bom tu ajoelhá e me tratá com respeito
Ajoelha e chora ajoelha e chora
Quanto mais eu passo laço muito mais ela me adora
Ajoelha e chora oi, ajoelha e chora
Quanto mais eu passo laço muito mais ela me adora”

Quem dança entende essas letras?

Polícia

Qual o papel da polícia? Quando ela foi criada? Para que precisamos de polícia?

Esse cara sou eu

Modinha de 2012. Machiiiiiiiista. Reforça papéis pré-estabelecidos de gênero e exalta comportamentos doentios, abusivos.
A canção retrata um cara que “conta os segundos se você demora, que está a todo tempo querendo te ver”… “que pega você pelo braço, esbarra em quem for que interrompa seus passos”…
MEDO!

Mesmo que seja eu

No mesmo barco que a anterior… “você precisa de um homem para chamar de seu”.
Oi?

Ai que saudade da Amélia

Música de 1942.
O que era e o que é ser mulher?
Ataulfo Alves, um dos responsáveis pela letra, disse que Amélia “simboliza a companheira ideal, que luta ao lado do marido, vivendo de acordo com suas possibilidades, sem exigir o que ele não pode dar.”

Mulheres de Atenas

Há quem diga que o Chico tratou da submissão feminina e do patriarcado de forma irônica. Afinal, a música fora escrita durante a ditadura militar, com a censura a mil… era comum que, para enganar os censores, muitos artistas usavam metáforas para falar do que não concordavam, fosse na sociedade ou no governo do país.

Saudosa Maloca

Direito de propriedade.
Em meio à demolição da casa, o consolo e a conformidade de uma época na qual o direito de propriedade era absoluto: “os homi ta cá razão nós arranja outro lugar”.

Acorda Amor

Ditadura militar e a morte das garantias constitucionais.
A música carrega uma crítica severa a ditadura militar. Em caso de uma invasão de sua casa pelas forças da repressão, ao invés de chamar a Polícia, melhor seria chamar o ladrão. Isso porque as garantias constitucionais, como a inviolabilidade de domicílio, estavam sem qualquer amparo na época.

Sociedade alternativa

Deixando as filosofias do cantor de lado, a música é um excelente gatilho para pensarmos sobre a liberdade. Nossa liberdade está acima dos demais valores? Até onde ela vai? É possível pensarmos em uma sociedade que coloque a liberdade acima dos demais direitos?

Diário de um detento

É a melhor manifestação artística sobre o massacre do Carandiru e seus antecedentes. Foi escrita pelo ex-presidiário Jocenir, sobrevivente da tragédia, e entregue nas mãos de Mano Brown dentro da casa de detenção, no Pavilhão Oito. A música é do disco que virou livro, Sobrevivendo no Inferno, um manual de como ser uma pessoa negra da periferia num país racista. 

Concorda com as sugestões temáticas?

Conhece outras iniciativas que se propõem a pensar o Direito de forma lúdica? Comente aqui!

Gostou? Curta, compartilhe e acompanhe nossas redes! Estamos no twitter e também no instagram.

Ajude a mantermos nossos canais!
A Amazon nos remunera a cada novo cadastro para conhecer a Amazon Prime à partir do link indicado logo abaixo. É rapidinho e você experimenta o serviço gratuitamente por 30 dias.
https://amzn.to/2BP5QO9

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: