quero publicar

oportunidades de publicação, pesquisa, cursos e eventos

Ao longo da história, houveram diversos pontos em que as mulheres foram colocadas em posições inferiores ou com menos acessibilidade educacional e de oportunidades, o que as impediram de alcançar espaços políticos e sociais de relevância para prospectar suas próprias pautas.

Hoje conseguimos falar um pouco mais sobre o assunto e buscar políticas públicas de inclusão, mas, sabemos que estruturalmente ainda há muito para se modificar, afim de situações como a dupla jornada de trabalho, não as atrapalhe de realizar seus sonhos profissionais e/ou acadêmicos.

Pensando nisso, convidamos a advogada Dra. Paloma Marcelino Araújo para falar sobre sua experiência enquanto concurseira para o cargo de delegada da polícia civil.

Paloma Marcelino Araújo

Embora na área do direito seja um dos cargos mais procurados, é o que tem menos mulheres os representando.

  • Você sempre quis prestar esse concurso?

“Meu contato com o mundo dos concursos públicos começou ainda na adolescência em torno dos 14 anos, a princípio voltado para a carreira militar, a busca por fazer parte da  APMBB (Academia da Policia Militar do Barro Branco) Oficial, era algo que chamava atenção, mas ainda sem muito conhecimento sobre como funcionava as carreiras policiais.

A indecisão perdurou por um curto período, mas aos 17 anos, finalizando o ensino médio, já sabia que o foco seria a instituição da Policia Civil e que a busca seria o cargo de Delegada de Polícia. Desde então, os últimos 7 anos tem sido religiosamente voltados a realização desce objetivo.”

  • Como está sendo sua preparação para o concurso público?

“Entendo que cargos em carreira jurídica iniciem sua preparação já no ingresso ao curso de Direito, já que esse requisito é um ponto de partida para os próximos passos.

Após o termino da faculdade tentei estabelecer uma rotina de estudos mais organizada. Separo um horário para um bloco de estudo antes de sair para o trabalho, o que me obriga a acordar ás 4h00 e a noite após o retorno do trabalho busco cumprir mais um bloco de pelo menos 1h30, dividindo os horários em vídeo aulas, leitura de lei seca, informativos e questões, aos sábados e domingos busco realizar as revisões blocadas das matérias com a realização de um simulado ao final de cada mês.

A questão na preparação para qualquer cargo acredito que seja conhecer o seu método, o seu tempo e o seu limite, mas principalmente conseguir equilibrar as obrigações e necessidades.”

  • Você enquanto aluna de graduação, fez alguma opção diferenciada, visando a carreira? 

“Durante o período da faculdade não tive tanto tempo disponível para me dedicar a eventos que me permitissem uma grande aproximação da carreira, pois o trabalho e trajeto sugavam quase todos os horários. Por muito tempo me culpei e me desesperei, especificamente no ano de 2018 quando ocorreu um último concurso para DELTA/SP, enlouqueci completamente. Até entender que devemos respeitar a ordem das coisas e que naquele momento eu tinha que buscar a conclusão do curso e a aprovação na prova da Ordem. Foi o que eu fiz.”

  • A partir da posse, o que você espera como nova delegada? 

Falar sobre a futura posse é algo que causa um misto de emoções. Só nós que estamos na luta sabemos o quanto desejamos e, consequentemente, as inúmeras responsabilidades que esse evento irá nos trazer.

Sem dúvidas, hoje a carreira do delegado de polícia é ampla e muito diversificada, tendo como mesmo propósito a resolução de conflitos na área da segurança.

A figura do delegado nada mais se assemelha a imagem truculenta veiculada de maneira equivocada por anos, mas sim a técnica e inteligência. Acredito que mais do que esperar do cargo, espero da instituição, de modo que eu possa contribuir com as constantes e positivas mudanças.”

  • Se pudesse dar um recado para todos aqueles que estão se preparando para o concurso, qual seria?  

“Sonhamos muito com os cargos e parece muita pretensão imaginar como será quando chegarmos lá, mas nessa jornada solitária que o concursando percorre aprendi com uma grande inspiração Dr. Carlos Alberto da Cunha que já somos delegados, juízes, promotores e etc., e que o estudo e aprovação é apenas mais uma fase e que só não passa quem não faz prova.

Para aqueles que estão na busca de suas funcionais, sejam elas quais forem, acredito que o segredo seja a constância, entender que iremos nos cansar e devemos aprender diariamente como equilibrar essas questões. Por fim, busquem pessoas que buscam o mesmo que você, mas muita ATENÇÃO: não se compare, tampouco acredite em resultados mirabolantes, somos seres individuais e ser grato as nossas conquistas ainda que pequenas torna tudo mais acessível.

  • Deixe um recado para todos aqueles que tem se dedicado como você ao concurso! Incentive-os!

“Aos colegas de jornada, desejo disciplina e equilíbrio, que em todos os dias consiga entender que o que abdicamos agora não é nada perto do ápice do objetivo.

Lembrem-se sempre, nessa jornada quem não suporta o processo, não é digno do propósito.”

Uma figura de inspiração para a concurseira entrevistada é a Dra. Raquel Kobayashi Gallinati, delagada da polícia civil e presidente do SINDESP. Pensando nisso, tambem a contatamos para nos contar um pouco mais sobre sua experiência nessa jornada.

Raquel Gallinati
  • Sempre teve o desejo de prestar esse concurso?

Dra. Raquel Kobayashi Gallinati para falar sobre a carreira e suas experiências.

  • Como foi o início de sua carreira? Sempre quis ser dessa área?

Eu sempre tive apreço pela área de segurança e quando decidi investir na carreira pública e estudar para concurso, minha decisão pela posição de delegada de polícia estava tomada, porque ela propicia uma carreira jurídica, que é a minha área de formação, com um retorno direto para a sociedade, através do atendimento a um setor fundamental para a população, que é a segurança. O início da carreira é muito positivo, porque os aprovados em concurso passam por uma formação excelente na Academia de Polícia Dr. Coriolano Nogueira Cobra e eu sempre trabalhei com colegas extremamente competentes e comprometidos, o que facilitou muito a minha transição da academia para o distrito policial e os meus primeiros meses de trabalho.

  • Como foi sua preparação para o concurso de delegada de polícia?

A preparação exige foco, dedicação e muito estudo. O concurso para delegado de polícia é extremamente concorrido e o candidato precisa estar 100% focado no objetivo, porque além de muitos, os candidatos são extremamente bem preparados para a prova. Além do curso preparatório fundamental para conseguir a aprovação, eu tinha uma rotina de estudos com uma programação de horários e cumpria essa rotina à risca.

  • Existe algo que os alunos, ainda em graduação, precisam focar quando querem ingressar na carreira de delegada de polícia?

“Um bom curso preparatório, ir para a prova preparado e com conhecimento jurídico sólido, e não desanimar caso não passe de primeira. É comum não passar na primeira tentativa e depois ser aprovado em mais de um concurso, podendo escolher onde trabalhar. É preciso estar atento ao calendário de todos os concursos, em todo o Brasil.”

  • Quais são as dicas da para quem está se preparando hoje para a carreira?

“Foco. Para passar em um concurso dessa magnitude, é preciso abdicar de outras coisas, especialmente durante o período de preparação. Saber que a aprovação exige esforço, mas que vale muito a pena quando você vê seu nome entre os aprovados.”

  • A partir da posse, o que deve esperar a nova delegada?

“Um trabalho gratificante, desafiador e fundamental para a sociedade, mas também com alguns dissabores, principalmente em São Paulo, onde a carreira pública, em especial da Polícia Civil, vem sendo sistematicamente desvalorizada pelo Governo do Estado”

  • Qual a maior dificuldade enfrentada pelos delegados atualmente?

“Em São Paulo, com certeza o desmonte da Polícia Civil, que hoje tem um deficit de quase 14 mil policiais, o que representa um terço do total. Isso obriga os policiais a trabalharem cobrindo as funções de 3 pessoas. Aliado a isso, temos falta de equipamentos, viaturas e delegacias em péssimo estado de conservação e o pior salário do Brasil entre as polícias de todos os estados. Mesmo assim, a Polícia Civil de São Paulo é a melhor da América Latina, pelo valor de seus integrantes.”

  • Como é ser a primeira delegada mulher do sindicato?

“Ser a primeira presidente do Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo é um desafio e uma honra. Desafio porque representamos todos os delegados paulistas em uma estrutura de polícia que ainda é dominada pelos homens. Hoje, as mulheres são um quarto da Polícia Civil. Mas preciso ser justa, porque recebi o apoio incondicional da grande maioria dos delegados para ocupar este cargo. E honra porque estamos abrindo espaços que as mulheres antes não ocupavam. Hoje, por exemplo, no meu segundo mandato como presidente, conseguimos equilibrar a diretoria e metade dos cargos são ocupados por mulheres.”

  • Como mulher enfrentou alguma dificuldade de ascensão ou visibilidade na corporação?

Diretamente não, mas o machismo sempre existe, especialmente em uma instituição masculina como a polícia. Mas eu e as delegadas mulheres estamos nos posicionando cada vez mais e firmando a posição feminina na polícia, inclusive em cargos de comando e posições estratégicas dentro da estrutura da Segurança Pública de São Paulo.”

Por fim, a delegada Raquel Gallinati deixou dois recados.

A todos as concurseiros ela espera que ajam como “Muito foco, planejamento e persistência. Quem realmente se dedica e estuda corretamente, mais cedo ou mais tarde atinge o objetivo!”.

Para a Dra. Paloma Araújo, em especial, o votos são para que ela “(…) mulher, que está se preparando para concurso público, não desista. A força feminina é fundamental para o serviço público, especialmente na segurança, onde a mulher ainda precisa ocupar mais espaços.

E aí? Curtiu esse post?
Como anda a visibilidade feminina na sua carreira e/ou área de atuação? Comente!

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: